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UFPI: Curso de Formação Docente em IA Generativa

02/09/2026 5 views 8 min de leitura

UFPI abre inscrições para o Curso de Formação Docente em Inteligência Artificial Generativa

A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da Administração Superior e do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação (NUJOC-DCS), coordenado pela Profa. Ana Regina Rêgo, e em parceria com o Instituto NUTES-UFRJ, promove o curso Formação Docente em Inteligência Artificial Generativa (IAG). Trata-se de uma iniciativa estratégica voltada ao desenvolvimento de competências digitais entre os docentes universitários, com o objetivo de prepará-los para lidar de forma crítica e ética com as tecnologias emergentes no contexto acadêmico e pedagógico.

As aulas serão realizadas presencialmente entre os dias 21 e 25 de setembro, no Departamento de Jornalismo do Centro de Ciências da Educação (CCE), e ministradas pela Professora Sônia Cristina Vermelho, criadora do curso e coordenadora do Laboratório de Estudos das Ciências (LEC), vinculado ao Instituto NUTES de Educação, Ciência e Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Objetivos e público-alvo

O curso foi estruturado para oferecer flexibilidade e aprofundamento teórico e prático. A proposta é contribuir para que os participantes compreendam o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial, utilizem-nas de maneira crítica e desenvolvam formas mais qualificadas de interação com essas tecnologias no contexto acadêmico e pedagógico. Voltado exclusivamente à formação de docentes da própria UFPI, o curso busca fortalecer o ensino superior por meio da integração entre conteúdo tradicional e inovação tecnológica.

A formação é organizada em módulos independentes, permitindo que cada participante escolha o percurso mais adequado às suas necessidades de pesquisa e prática docente. Ao todo, serão disponibilizadas 40 vagas, distribuídas em duas turmas: uma no período da manhã, das 8h30 às 12h, e outra à tarde, das 14h30 às 18h.

As inscrições para docentes serão realizadas por meio de formulário eletrônico, por meio de links específicos para cada turma. Para a Turma 1 (manhã), os interessados devem acessar o link correspondente, enquanto a Turma 2 (tarde) conta com outro formulário dedicado. Essa organização visa garantir maior acessibilidade e conforto aos participantes, considerando as particularidades de cada turno.

Reflexões sobre a IA no ensino superior

Para a professora Sônia Cristina Vermelho, a expansão da inteligência artificial generativa, especialmente entre os estudantes, exige uma reflexão profunda sobre os modelos pedagógicos adotados pelas universidades. Segundo ela, como o conhecimento deixou de estar restrito aos livros e aos docentes e passou também a estar disponível por meio das ferramentas de IA, é necessário que os professores compreendam essas tecnologias para decidir, de forma autônoma, como e em que medida podem e devem incorporá-las ou não às práticas de ensino.

“Os alunos vão usar, não adianta proibir. Então, o melhor caminho é nós conhecermos [a ‘inteligência’ artificial] para que a gente possa fazer um trabalho em que, se for o caso de não usar a IA, a gente saiba organizar um processo educativo. Ou, se ela fizer parte do processo, a gente precisa saber de que maneira ela vai ser incorporada”, destaca.

Essa visão crítica e reflexiva é central ao curso, que não trata a tecnologia como um fim em si, mas como um meio a ser compreendido e dominado pelo educador. A formação busca, portanto, empoderar os docentes com o conhecimento necessário para tomar decisões informadas e conscientes sobre o uso da IA em suas práticas.

Estrutura dos módulos do curso

Sônia Cristina Vermelho explica que o curso foi estruturado em três módulos independentes e complementares, apoiados por livros didáticos elaborados especificamente para a formação docente no ensino superior. Cada módulo aborda um aspecto distinto da inteligência artificial generativa, permitindo uma progressão lógica e didática no aprendizado.

O primeiro módulo apresenta fundamentos e usos da IA no contexto universitário, enquanto os módulos seguintes aprofundam aspectos relacionados à tecnologia e à engenharia de prompts. Apesar de serem oferecidos de forma autônoma, os três módulos foram pensados para serem realizados de forma sequencial, garantindo uma formação mais abrangente e integrada.

“Os livros são o material didático do curso. Cada módulo aborda a inteligência artificial em diferentes níveis de profundidade. O módulo um trabalha em um nível mais básico o uso da IA no ensino superior, enquanto os módulos dois e três são mais aprofundados. Eles são independentes, mas, para uma formação mais completa, o ideal é fazer os três módulos”, acrescenta.

Curso I: Crítica da Razão Artificial

O primeiro módulo utiliza como material didático o livro Crítica da Razão Artificial e busca apresentar fundamentos sobre o funcionamento da IA generativa. Entre os conteúdos abordados estão a arquitetura transformer, os modos de processamento e a relação entre a tecnologia e os aspectos pedagógicos.

A proposta é possibilitar que o professor compreenda, ainda que de forma introdutória, o que ocorre por trás das respostas produzidas pela IA, evitando tratá-la como uma ferramenta que simplesmente “sabe tudo”. O objetivo é desvelar a potência aletheica da máquina, ou seja, a capacidade de produzir aparências de verdade que, embora convincentes, precisam ser analisadas com rigor crítico pelo educador.

Nesse contexto, o módulo também explora questões éticas e epistemológicas, incentivando os participantes a refletirem sobre os limites e as possibilidades da inteligência artificial. Ao final da etapa, os docentes estarão melhor equipados para discutir com seus estudantes os implicações do uso de ferramentas de IA na produção de conhecimento.

Curso II: Anatomia da Inteligência Estatística

O segundo módulo tem como material didático o livro Anatomia da Inteligência Estatística e apresenta maior densidade teórica. O conteúdo aborda como os assistentes de inteligência artificial produzem respostas, diferenciando, por exemplo, o conhecimento adquirido durante o treinamento das informações fornecidas no contexto de uma conversa.

Essa distinção é fundamental para que o professor entenda que a IA não possui consciência ou intençãoality, mas opera com base em padrões estatísticos aprendidos a partir de grandes volumes de dados. A compreensão desses processos contribui para que o professor reconheça não apenas as capacidades, mas também as limitações das ferramentas de IA, reduzindo o risco de aceitar informações equivocadas como verdadeiras.

O módulo também discute os desafios de interpretabilidade e transparência na IA generativa, temas cada vez mais relevantes no cenário educacional contemporâneo. Ao final, os participantes serão capazes de avaliar criticamente as saídas produzidas por sistemas de IA, considerando suas fontes, contextos e potenciais vieses.

Curso III: Organon do Diálogo Generativo

O terceiro módulo utiliza o livro Organon do Diálogo Generativo e é voltado às técnicas básicas e avançadas de elaboração de prompts. A formação propõe uma abordagem contemporânea e crítica sobre o impacto social e os limites epistemológicos das ferramentas de inteligência artificial.

Com caráter mais aplicado, o módulo trabalha a engenharia de prompts e apresenta formas mais sofisticadas de orientar a IA para a obtenção de resultados adequados às diferentes necessidades acadêmicas e pedagógicas. Os participantes aprenderão a estruturar perguntas e comandos que maximizem a utilidade e a precisão das respostas geradas pela IA, evitando respostas genéricas ou imprecisas.

Além disso, o módulo explora o papel do diálogo como ferramenta de ensino e aprendizagem, destacando como a interação com a IA pode ser mediada de forma ética e produtiva. Ao final desta etapa, os docentes serão capazes de integrar a IA generativa em suas práticas de forma intencional, criativa e crítica.

Considerações finais

O curso de Formação Docente em Inteligência Artificial Generativa promovido pela UFPI representa um passo importante na modernização da educação superior brasileira. Ao formar docentes que compreendem e sabem utilizar criticamente as tecnologias de IA, a universidade contribui para uma educação mais preparada para os desafios do século XXI.

Com um planejamento detalhado, materiais didáticos específicos e uma abordagem teórica-prática equilibrada, o curso oferece aos participantes as ferramentas necessárias para navegar com segurança e discernimento no uso da inteligência artificial no ambiente acadêmico. A possibilidade de escolha entre turmas e módulos independentes garante acessibilidade e flexibilidade, características essenciais para a formação contínua de professores em uma sociedade cada vez mais digitalizada.

Alunos e instituições que buscam inovação educacional devem observar iniciativas como esta com atenção, pois elas sinalizam para um futuro em que a tecnologia e a educação andam lado a lado, sempre mediadas pelo olhar crítico e humanista do educador.

Fonte: Ufpi

Fonte: neuraartificial.com.br

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